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Museu Felícia Leirner, aberto ao público desde 1979, reúne obras e réplicas de peças expostas em outros países doadas pela escultora ao governo do Estado de São Paulo, em 1978.
Numa área total de 350 mil m2, o público poderá conferir as diversas fases desta artista considerada um dos ícones da escultura brasileira contemporânea, fazendo um passeio cronológico indo da Figurativa (1950-58), A Caminho da Abstração (1958-61), Abstrata (1963-65), Orgânica (1966-70) e Recortes na Paisagem (1980-82), imortalizadas em cobre, granito e cimento branco.
As obras estão expostas em bosques, alamedas e jardins o que faz com que haja uma integração entre a natureza e as peças, fazendo com que o público se questione “quem afinal complementa quem, neste cenário?”
E para facilitar essa interação, durante os dias de sol a beleza local faz a sua parte e a noite além do brilho do luar, que parece contemplar as esculturas, focos de luzes iluminam-nas, aumentando ainda mais o seu esplendor.
Neste cenário, o Museu Felícia Leirner divide o seu espaço com outra atração cultural da estância: Auditório Cláudio Santoro, o principal palco do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão; que também privilegia o relevo e a natureza local, numa construção moderna e que reúne grandes atrações artísticas e culturais na cidade.
Felícia Leirner (1904 - 1996): A escultora que nasceu em Varsóvia, Polônia, viveu até os seus 23 anos, na cidade contemplando os romances russos e os espetáculos da Filarmônica local, aos feriados, num sonho de ser cantora lírica.
As constantes represálias aos judeus, desde a 1ª Guerra Mundial, com preconceitos a sua etnia, religião e humilhações, faz o jovem casal Isai e Felícia decidir, em 1927, mudar-se para ao Brasil, trazendo consigo a mãe da escultora, com quem viveram toda a sua vida.
Durante os primeiros anos no Brasil, Felícia dedicou aos afazeres do lar e cuidar dos 3 filhos, Adolfo, Giselda e Nelson; enquanto Isai começa a progredir com sua fábrica na garagem na Ribeiro de Lima, em São Paulo, com os melhores mostruários e artigos de lã de ótima qualidade.
Mas foi no final dos anos 40, que o sonho da menina é interrompido, após Felícia ser acometida por uma doença que a leva a intervenção cirúrgica, encerrando o desejo de prosseguir na carreira de cantora lírica, já que estudara música e canto e havia integrado, como soprano, o coro da Ópera de Varsóvia.
Porém em 1946, com sua filha Giselda resolveu encarar as aulas de desenho e pintura com Yolanda Mohalyi. E foi através de Yolanda que conheceu Elisabeth Nobling, uma escultora que trabalhava com cerâmica, foi o seu novo despertar para o universo das artes.
E foi Elizabeth indicou a sua discípula a Victor Brecheret, que ao primeiro momento recusou a nova escultora por acreditar que a arte de esculpir não era para as mulheres, sendo vencido e tendo a participação de Felícia na conclusão do Monumento às Bandeiras, na Praça do Ibirapuera, em São Paulo.
Felícia Leirner a cada instante se encantava mais pela arte de esculpir, procurando materiais sobre a arte, visitando obras e exposições sobre o assunto e em 1953, se achou capacitada a enfrentar os júris da Bienal de Arte. Participando das edições de 1955, 59, 61, 63, 65, 67 e 73. Em 1955, ganhou o prêmio dado aos melhores escultores do Brasil, em 65 teve uma sala com suas obras e em 67 e 73, apresentou obras de grande porte. Em paralelo a essa trajetória nas Bienais, ela realizou importantes exposições individuais nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Em 1958, Isai cria a Galeria das Folhas, uma galeria de artes, que se tornou o ambiente para receber exposições de nome como Flexor, Djanira e Felícia, e coletivas, conferências e mesas redondas; ações que duraram até 1962, quando falece o marido de Felícia.
Mas foi em 1965, ainda abalada com a morte de seu marido e querendo sair um pouco do centro da badalação cultural da capital paulista, que Felícia Leirner se muda para Campos do Jordão, onde a escultora começa a produzir suas peças que estão mais ligadas a natureza e seus seres, como os pássaros.
Foi neste mesmo período que a artista doa suas obras ao Estado e com a criação do museu em 1979, ainda produziu suas últimas peças em 1982, quando resolveu se dedicar aos outros prazeres como bordar, fazer tapetes, escrever e desenhar. Dessa forma, a escultora polonesa influente na cultura brasileira marcou para sempre seu nome na história de Campos do Jordão, onde como sonho de menina em ser uma camponesa pode respirar a liberdade e a beleza dos pássaros.
Algumas peças da escultora estão expostas em Paris, Amsterdam, Roma, Londres, Belgrado e Telaviv, porém Felícia sempre fez tiragens de suas esculturas em bronze, ficaram no Brasil réplicas destas peças e presentes no museu em Campos do Jordão.
O Museu Felícia Leirner está localizada na Av. Dr. Arrobas Martins, 1880 – Alto da Boa Vista, aberto de terça a domingo e feriados, das 10h às 18h. Os ingressos custam R$ 1,00, crianças até 10 anos e pessoas com mais de 60 anos, não pagam. |